senti a chuva cair na minha cara, escorria com suavidade, molhava-me o rosto com delicadeza e deixava-me gélida lentamente. não me mexi, não dei um único passo, estava congelada mas estava a gostar. via na chuva a tua forma a aparecer de novo, como que aqui estivesses de novo. estendeste-me a mão, e eu com firmeza estedi a minha para te sentir, para sentir de novo a segurança do teu braço...tentei apertar-te a mão, não consegui. a água passou-me entre os dedos, mas tu continuas-te lá. "nunca me deixes só" pedi-te com medo nas palavras e o frio no corpo. sacudis-te a cabeça dizendo que não, aproximaste de mim, segredaste-me ao ouvido "sempre estive aqui". foste o único que tive, e sempre serás o único que vou ter. de novo, com um sorriso no olhar foste embora, escorres-te pela minha cara de novo. saudade, orgulho, felicidade, és tu Joaquim Coelho.
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